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terça-feira, 31 de agosto de 2010

OBSOLETO

Essa minha cara de magnata estagnou
Não mais espanta, encanta, engana ou mata.
Tá na hora de trocar por outra!

domingo, 29 de agosto de 2010

insone

Os dias são longos, pois sempre eu os estico!
Fico preso ao plasma, essa lareira fria,
até que um torcicolo me tira do sério.

Ouço esses cantores que gritam suas vozes sempre irritantes.
Vejo que hoje a minha esperança foi-se pras cucuias.
Devo admitir: é melhor tomar logo esse remédio pra dormir!

Homo Consumericus

Borboleta,
depois de ser gravata e registro de torneira,
virou fecho de tampa de sacola de compras,
e completou a ecosofia do contemporâneo!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

MAIS UMA VEZ: A CHUVA!

A chuva expôs nosso despreparo.
Não se trata de apenas aparar goteiras.
Uns se lameiam, outros se lamentam!
Muitos, nem isso: apenas bóiam!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

MAIS UMA VEZ: A CHUVA

A chuva expôs nosso despreparo.
Não se trata de apenas aparar goteiras.
Uns se lameiam, outros se lamentam!
Muitos, nem isso: apenas bóiam!

domingo, 27 de junho de 2010

LAREIRA FRIA

O problema dessas noites frias
é que os bares fecham cedo,
e em casa, nem os cães ladram!
A TV é uma lareira fria: o LCD não incendeia!

sábado, 19 de junho de 2010

Adeus, Saramago!

O escritor português José Saramago morreu na sexta-feira, dia 18 de junho, aos 87 anos. A mim a notícia me fez pensar muitas coisas, entre as quais, a capacidade que as pessoas têm de transformar o mundo. Muitas, evidentemente, nem sabem que a possuem. Outras abdicam de dela fazer uso. Saramago começou por transformar sua própria vida pela literatura e a utilizá-la para pensar o mundo e interrogá-lo. Sua literatura nos desloca e convoca-nos a pensar este deslocamento. Com ela, consigo pensar em que tipo de literatura é merecedora do Prêmio Nobel, mas sobretudo a pensar em como a literatura pode mudar o mundo e o modo de o pensarmos, sem ser piegas; com ela me assusto com as imagens oferecidas a esta problematização profunda. Ensaio sobre a cegueira é um manifesto crítico sobre o estágio em que chegamos, como outros. O conto da ilha desconhecida é uma singular expressão de utopia. Mas há dois outros pequenos livros dele, entre os muitos – e maiores – que já li, aos quais sempre volto, em meu ofício de educador. Trata-se de Objecto Quase, um livro de contos, e de As pequenas memórias, com memórias pessoais.

No primeiro, há contos fantásticos, com mensagens politicamente fortes. Um deles chama-se “Cadeira”. Descreve a queda de uma cadeira, coisa simples, mas ele leva 23 páginas para dar cabo da descrição – já que lhe interessa trazer à cena, sutilmente, essa mania do refestelo no poder, supondo segurança estabilizada, enquanto o próprio poder é corroído por dentro, por baixo, pelos micropoderes... Acho que todo político deveria lê-lo para pensar sobre esta inevitabilidade do desgaste e do desmoronamento!

No segundo, são memórias que se encontram, de algum modo, com as minhas próprias memórias, pela sua origem simples e interiorana, rural até. Há um trecho ao qual sempre volto: a parte onde ele descreve a memória do avô, vindo, encharcado de água, sob a chuva, tangendo porcos. Ele o descreve – e quase nos faz tocá-lo com a mão à sua face talhada a enxó, de tão perto que se torna: “É um homem como tantos outros nesta terra, neste mundo, talvez um Einstein esmagado sob uma montanha de impossíveis, um filósofo, um grande escritor analfabeto. Alguma coisa seria que não pode ser nunca”.

Ao que parece, Saramago não cedeu aos impossíveis de seu tempo e lugar. Nem abandonou esses impossíveis, mas os transformou em matéria-prima de seu questionamento profundo do mundo, através de uma arte literária que manejou como poucos. Isso parece justificar essa fila em seu velório!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

frio

nos dias frios
o queixo treme
os dentes tocam
uma canção de britadeira
o corpo trinca
mereja sangue nas rachaduras

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Há dias em que a minha esperança vara a madrugada
e, vã, volta pra casa embriagada!
Dizem que é a última que morre.
Comigo, ela é a última que morde.
Ainda faminta, é a última que dorme!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O SER DA FILOSOFIA

diz a filosofia:
todo SER, só é ser, SENDO.
e sendo assim,
todo ser, só pode SER,
como movimento,
como DIFERENÇA!
e no entanto,
este tanto de diferença
não é outra coisa
senão a mesmíssima mesma
MESMIDADE humana.

Tome tento!
A filosofia tem essas equações difíceis.
E sem isso, nem graça tinha!

domingo, 6 de junho de 2010

POR UM FIO


Era analfabeta! Até que teve um ensinozinho, mas não passou da cópia do nome, que com o tempo esvaneceu! Cresceu arrancando caruá e no tempo do umbu já amanhecia na vereda. De ano em ano, ou lá um se acaso, em dia de festa, caprichava nas fitas e laços, decote e cintura. Por dez anos namorou um João, que vinha de ano em ano, no carnaval, se esconder no canto do curral pra lhe surpreender com um balde dágua, mas de gravata e tudo. Foi com ele, de jegue, morar na casa de taipa que a mãe dele tinha numa roça mais a oeste algumas léguas. Por anos a fio varreu terreiro, empurrando as lembranças da mocidade pro monturo. Raspou maxixe, mexeu aribé, limpou taxo, dobrou tapioca, encheu gamela com abóbora, moeu milho, fez angu, e encheu o coxo com lavagem para os porcos. Carregou pote dágua até de bucho e gemeu por cinco vezes à espera da parteira. Catou cafuné e piolho com a mesma ternura de fazer cochilar até homem feito. Nunca passou disso, até o dia em que a vaca Cumbuca caiu no riacho, no meio da enchente, remanso das águas engolindo o bicho e ela amarrou a saia em dois nós, atracou-se no cipó e enlaçou-se nos chifres do bovino empunhando frase poderosa: “ninguém pode mais que Deus”. A vaca morreu de velha, olhando agradecida para ela. E agora é ela, que em sua caduquice, fio de memória não para de lembrar-lhe aquela vaca, aquele dia, aquele feito! Depois que borrou-se tudo, parece que ela nasceu ali!

LIMIAR

Hoje, não sei o que me deu. Comecei a tremer assim derrepente. Falei, que frio que me deu agora, ave Maria! Mas todo mundo continuou com os olhos pregados na televisão. Tentei me levantar, mas não teve jeito. Aí foi que todo mundo deu fé, nesse intervalozinho desse programa besta, que é só o que tem, e me acudiu. Fiquei assustado. Eu, nessa idade, só o que me faltava era perder os sentidos. A véia, já tá ai, assim, desse jeito, abestalhada. Ninguém me tira da cabeça que é por causa desse horror de comprimidos que ela toma. Um dia desses disse prum doutor que tinha aí nesse psf: doutor, quem tá matando hoje em dia é a medicina, é a droga, é essa remedaria que a gente tem que tomar. O senhor me desculpe, eu sei que é seu ofício, mas a verdade é essa, e eu digo e não peço segredo. Depois que começa, não tem mais jeito! Eu mesmo abandonei uns comprimido, por conta própria. Adoçante mesmo eu não uso, que não se dá com meu sangue!

Mas hoje, derrepente, comecei a tremer, um frio que vinha assim de dentro pra fora, como se eu tivesse sido virado pelo avesso. Senti até a vista turva! Mas, nesta idade, me diga, ninguém mais presta atenção na gente quando a gente resmunga alguma coisa. É uma tristeza! Essa juventude de hoje – o senhor me desculpe, que o senhor também é jovem – parece que vive nas nuvens. Tudo por conta dessas besteira que essa televisão vomita o dia todo. Lá em casa mesmo, veja bem, ela não é desligada hora nenhuma. É um inferno! É a televisão, é a rua, é a festa. Eu nunca vi tanta festa em minha vida. É tooodo dia, tooodo dia! Eu mesmo não sei o que é que comemoram tanto! Eu não sei de onde vem tanta felicidade. Felicidade não, que eu não chamo isso de felicidade, eu acho que hoje o mundo é essa tristeza sorridente! Eu fico pensando, que no meu tempo era o tempo do atraso, e hoje em dia, eu concordo, tem muita educação, muita evolução, a modernidade evoluiu, a educação evoluiu, mas a perdição do mundo evoluiu mais ainda, pra encobrir, ultrapassar a educação.

Pois é, me deu esse frio, essa tremedeira, a vista ficou turva. Aí esse aí, que é meu filho, é um dos que se preocupa, mas que eu sei que ta doido pra ir pra folia, porque o baticum na rua não pára, e essa moça aí, que é filha, que é uma sofredora também, porque tudo é nas costa dela, aí eles me trouxeram aqui. O senhor sabe, nessa idade eu não me governo mais. Se me governasse nem aqui eu vinha, que isso aqui, que aqui só tem carniceiro. O senhor mandou me aplicar aí essa injeção, não vou questionar o seu saber, longe de mim, de fato, o frio passou, mas ninguém me tira da cabeça que com o tempo a gente fica é pior. Daqui pra frente eu já sei, agora é só esperar a hora de esse frio voltar, essa tremedeira. Agora não tem mais jeito, mais cedo o mais tarde, volta!

sábado, 22 de maio de 2010

É POESIA?

Não há motivo aparente
Para o fastio desses dias
Que nem vem poesia chocha
Um verbo de todo insosso
Nem assim se pronuncia

E o amigo otimista
Ainda me diz que posso
Quem sabe parir um fluxo
De capricho sorridente
Quem sabe eu não exorcize
Razão do semblante murcho
E acorde todo contente

Vê bem essa rima manca
Envergonhada de si
Quase pedindo desculpas
Pelo seu quase existir

Mas pelo avesso do verso
Varo madrugada fria
Mando o fastio para os quintos
e mais tranqüilo me sinto
Pra inaugurar outro dia

signos conjugais

PASSOS
NO COMPASSO
E NO ENTANTO
UM ERRO CRASSO
GROSSEIRO FAZ-SE
O DESCOMPASSO

aspas

abre aspas!
diga-me quem és
atrás dessas lentes espelhadas
impávida gôndola boiando na cena
inscrita na paisagem, quase-letárgica.

...pelo menos me sobes a saia, e me mordes a nuca
e esperneias antes do coito na borda do caiaque

na próxima cena, mornas teus orgulhos nessa lente besta
mostras-me o umbigo sem franzir a testa,
e gemes como fêmea, pálida ninfeta!

mas não dissimules como falsa puta
não te finjas santa, disso eu tô careca...
...e feches tuas aspas!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

FRAGMENTO INÚTIL DE ASSÉDIO POÉTICO




(...) Jeito não há, de certeza,

sobre como romper essa película invisível

que fecha nosso corpo-casulo!

qualquer coisa que trisca, trinca, ou quase!



e mesmo assim há dias em que a gente o aranha,

estremece dentro, rói as unhas, rasga o verbo!

e há aqueles em que a gente tenta achar um tom,

uma afinação, massagem musical nos finos pelos

até que o corpo rompe o selo, se arregala, se arreganha

ganha ritmo até que alguma coisa saia - ou entre!

e dance com a língua quente, no ventre,

chiando na brasa do corpo ardente!


zunido no juízo: viiiiiixxxe!!!
.
.


domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sobre o Lazer e a Pressa dos Meios de Comunicação

Josemar da Silva Martins
Professor do DCH III/UNEB

Os meios de comunicação não têm tempo – estão sempre apressados em transformar informação em notícia, correndo de um lado para outro para fazer matérias rápidas, com perguntas que rondam o lugar-comum, sem tempo para uma resposta mais completa, afinal, na lógica dos meios de comunicação, tempo é ouro, e não há como dar ouvidos a coisas importantes

A opção dos meios de comunicação é pelo entretenimento, pela distração, pela superfície, pela aparência. Por isso não tocam em temas importantes; por isso vivem de factóides, adoram polêmica e ficam sempre com o pueril. Só isso já afasta os meios de comunicação da idéia de lazer. Ficam eles mais próximos do entretenimento, mas do lazer não, exatamente porque lazer requer outro ritmo, outro desinteresse, que não é uma renúncia, mas a abertura para outra dimensão da experiência elaborativa. Bom, mas isso não interessa aos meios de comunicação!

Prova disso? Ontem fui entrevistado por uma aluna de comunicação social (foi minha aluna), para o canal de TV local, afiliada da Globo. Estávamos numa chácara onde foi recentemente inaugurado um atelier e estava havendo um ensaio. Eu não pedi para ser entrevistado – eu nunca peço! As perguntas eram sobre o espaço, a importância dele... e no decorrer veio uma pergunta se ali, aquele espaço, era uma mistura de lazer com cultura. Iniciei a resposta tentando dizer que lazer tem tudo a ver com isso, já que na origem da palavra lazer (que é grega) está esta finalidade de fruição e de elaboração, diferentemente do mero entretenimento...

Para meu espanto a repórter recolheu o microfone enquanto eu respondia à pergunta que ela mesma fizera, como se disse “chega!”. Continuei falando, o cinegrafista continuou filmando, até que se dissipasse aquele incômodo, que não se desfez. Depois completei que essa postura não é condizente com uma postura de alguém que, além de repórter, está concluindo um curso de jornalismo. A resposta? “Você é meu brother!”. Que espécie de brodagem é essa?

O que eu ia dizendo é que o termo lazer está associado ao termo scholé, que ainda na Grécia Antiga deu origem à palavra escola. Lá scholé significava exatamente lazer. Esta informação encontra-se no livro “Guerras Culturais”, de Teixeira Coelho, num texto intitulado “Lazer, Globalização e Identidade Cultural – um decálogo, dois teoremas e uma perspectiva para o lazer”. Ali ele explica que o lazer não é uma interrupção da atividade, ou seja, não é uma pausa para alguma coisa diferente da pausa; não é uma pausa que recupera as energias e colocar a pessoa em condição de voltar à ocupação. Na verdade lazer é uma interrupção do ritmo normal de atividade que se volta apenas para si mesma, como um modo de atividade superior (p. 145).

Isso quer dizer que lazer é puro dispêndio de tempo livre, disposto à fruição, à elaboração, ao saboreio, com fim em si mesmo. Essa é sua principal relação com a cultura, com a arte, com a invenção despida de espírito de negócio meramente. Não serve para nada, a não para esses saltos espirituais que não passam pelos templos religiosos. Por isso estávamos naquela chácara, naquele espaço, naquele atelier, naquele ensaio.

Mas nisso os meios de comunicação não estão interessados! Eles têm pressa! E os/as repórteres aprendem, em boa parte do curso de comunicação social, especialmente nos estágios remunerados nos meios locais, esse axioma. É uma pena!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

RESSACA DE ANO NOVO

Em geral entramos o ano de ressaca. É regra! A não ser que a "virada" não tenha tido graça! Reveillión que se preze tem que oportunizar a embriaguês, o borrão nas maquiagens e o amassão das sedas brancas, ou de outros tecidos mais ou menos nobres. A gente começa engalanado e termina sendo arrastado para casa, aos trapos! Aí o feriado do primeiro dia serve apenas para curar a ressaca do ano novo.

Se a embriaguês for das boas, faz as vezes de um bom ritual de passagem, desses que oportunizam o renascimento! A ressaca é, portanto, uma oportunidade de renascimento! Muitas vezes um renascimento que termina num "nunca mais bebo", ou em algo menos dramático, como um "este ano vai ser diferente".

De qualquer forma, estou de ressaca - e parte do que espero do ano tem a ver com isso! A minha ressaca, no entanto, é outra! É que este ano me deparei com um tipo de juventude diferente! Não é a juventude que se droga, como foi a minha, embora a de agora se drogue cada vez mais e com coisa mais pesada. Também não é a juventude que fax sexo, como a minha, embora esta faça sexo muito mais! Mas parece uma juventude que desistiu do ritual, da elaboração, do valor do tempo das coisas! O único ritual, é a carnavalização; a única elaboração é a maquiagem, o único tempo é o presente, estendido até depois de onde deveria virar outra coisa! Tudo isso com simulação de holofotes (o orkut serve para isso, em geral)!

Encontro os jovens e eles não estão indo à escola, há muitos que desistiram dela, outros foram reprovados... e também não estão interessado em trabalho! Eles querem festa, sucesso, exibição! Por isso precisam de um celular "da hora", uma máquina digital, uma moto, um somzão no porta-mala... Onde vão achar dinheiro para isso? Quem sabe um Empréstimo Consignado na aposentadoria dos avós! Quem sabe, um pequeno assalto, um sequestro!

Esta é a promiscuidade do momento. A isso temos chamado de violência! A isso eu chamo promiscuidade sistêmica! De onde ela vem? Pergunte aos que ganham dinheiro vendendo droga! E mude o conceito de droga! Vá além da maconha, da cocaína e até mesmo do crack. Vá até onde vendem ilusões! Vá até onde vendem a idéia de que todo mundo tem que ser Rei. Vá até onde todos já querem começar de cima! Todos com o rei na barriga! Vá até onde a liberdade foi vampirizada pelo mercado e pelo consumo! Vá até onde vendem bíceps e sonhos de pop star, música ruim e ética fuleira! Eis aí a drogadição do presente!

Para mim, a mesma imagem dos meninos achando que a vida é uma chapação constante, é a mesma imagem da "chapação das opções que se oferecem". Vou de bar em bar da cidade e ouço a mesma coisa. Viajo centenas de quilômetros e vejo os mesmos gestos. Emcaro as mesmas paisagens - incluindo as mesmas paisagens de ficus benjamina (que muita gente chama "pé de fixo") se repetindo em todas ruas, em todas as praças, em todas as cidades! Prescruto aí os mesmos idiotas sonhos, como se tivessem sido feito em série!

Tô de ressaca disso tudo! É como se tivesse se produzido uma bolha de repetição constante dos mesmos modos de ser! E a palavra alienação - da qual agora os intelectuais e as academias querem distância, pois preferem palavras mais atuais, como agenciamento - se revigora!

A minha ressaca que já se repete há alguns anos, é dessa repetição de tudo! Não há mais diferença entre qualquer outra festa de fim de semana de uma festa de reveillión na maioria das cidades que conheço! A não ser pelos penteados, pelos brilhos nos rostos e nos vestidos das mulheres, ou pelos engalanamentos dos homens, não saberíamos. As opções de festas são todas medíocres: em geral são feitas em cercados de metal que cabem aí uns 30 mil pagantes, pelo menos. São feitas por empresas "laranjas" de políticos que estão no poder, mas quase que indisfarçadamente são postas na mão dos "laranjas". A prefeitura dá a infra, a empreza ganha o dinheiro e divide com os "donos" da coisa, que são os próprios políticos empoderados.

O sucesso da festa é geralmente garantido por uma banda tipo Saia Rodada, Aviões do Forró, Silvano Sales, Swing Tropical, Asas Livres... (a lista é bem maior), que tocam músicas dessas que se repetem umas quinhentas vezes por dia em todos os porta-malas de carros, nos bares, churrascarias e FMs. É tudo um maravilhoso consenso sobre a qualidade das beldades tocadas! No palco, as músicas, com suas estéticas ridículas, são executadas com a dramatização das letras por meninas seminuas e bichinhas que fazem o papel de homens na encenação do erótico. Por isso é um espetáculo tosco de simulações ridículas. E tudo não passa de simulação, até o sexo! Torna-se uma festa que se sustenta na estética do falso! Mas todo mundo compra!

Tô de ressaca disso tudo! Mas ainda bem que a minha "virada" deste ano foi ótima! Primeiramente porque o ambiente era outro, a música era diferente, e por isso não fiquei bêbado. Manti-me lúcido pela madrugada e iniciei a manhã com um belo café da manhã, no cais da cidade, antes de qualquer ressaca - o que me evitou que ela viesse depois. Foi outro tipo de renascimento! Há muitas promessas para o ano novo, como sempre, e espero poder cumpri-las! Uma delas é a de enfrentar a reiteração da mesmice. Não estávamos interessados em ganhar dinheiro, mas em recuperar outras possibilidades de festa e de estética! Por isso a festa foi uma iniciativa de pessoas, e não do poder público (embora este o tenha apoiado)!

E menos ainda a "nossa" festa foi uma iniciativa do mercado! Quanto a esse, aos empresários e homens de negócio, esses não têm mais tempo para sonhar, a não ser com as fórmulas de ganhar dinheiro fácil e rápido! Se for preciso, vendem droga! E é o que têm feito!

Josemar Martins (Pinzoh)