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quinta-feira, 8 de março de 2007

MULHERES

Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade, até porque elas são desarmadas pela própria natureza: nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas. Ninguém lhes dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.

As mulheres detestam sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência.

É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.
São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações.

Nem toda feiticeira é corcunda.
Nem toda brasileira é só bunda.
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Autora: Rita Lee
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2 comentários:

João Alves disse...

Cara, achei fantástico!!! Sempre convivi cercado de mulheres (mãe, irmãs, tias, esposa, filha....) e acho que vem delas o meu lado pacifista (sim, um lado, pois também sei fazer guerra)...curioso como nunca consegui entender muito bem "qual era a de Deus"..até que um dia a Ir. Ivone Gebara (teóloga do balacubacu) me apresentou a "Face feminina de Deus"...ai sim, eu entendi quem era Ele(a) e qual a nossa nesse mundo...ufa, foi um alívio!!! Depois explico isso melhor. Por enquanto, VIVA AS MULHERES!! e parabéns Pinzoh !!!

Germano V. Xavier disse...

Novamente, bastante coerente...