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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Tempos!

Um dia antes da morte de Mercedes Sosa um amigo, que é também dono de rádio, me falou preocupado que há uma coisa estranha: a geração de agora não conhece artistas como Milton Nascimento, como se tivesse havido um vácuo de comunicação entre esta geração e a anterior. Mais por impulso do que por falta de educação respondi na bucha que isso era também culpa dele e dos outros donos de rádio, que se acostumaram a ganhar dinheiro oferecendo porcaria à população. Não chegamos a dar continuidade a essa conversa.

Um dia depois, morreu Mercedes Sosa, no dimingo, dia 4 de outubro, aos 74 anos. Fiquei sabendo apenas na segunda, no Jornal Hoje. Pensei, imediatamente: “e quem é Mercedes Sosa para a maior parte das pessoas que neste momento estão em frente à televisão?”. Ora, pouco importa! Os sonhos que tínhamos, quando a ouvíamos e dela gostávamos muito, viraram bosta. Agora andamos em bando em busca de outras coisas que nem sabemos o que é! A maioria de nós anda por aí, repetindo que hoje o que conta é ganhar dinheiro, nem que seja vendendo droga (droga ruim, do tipo que as FMs vendem), e que a questão é “se jogar na vida e vivê-la”. Parece bom!

O mundo é outro! Novo! Livre! Alguns dirão que é a sociedade do conhecimento. Eu acredito por um breve instante e por um breve instante espero que os meninos vão entar na internet e destrinchar o que está por trás do nome da artista morta. Mas, que nada, eles estão ocpudados demais no MSN, no orkut, no youtube, revendo mil vezes as cenas do Pânico na TV ou do Se liga Bocão. Os outros estão em frente à TV vendo futilidades, tipo “todo enfiado”, para que a vida seja sempre leve! Alguns outros estão sintonizados nas FMs, ouvindo a série de besteiróis do momento, que se repetem em todas elas como se fosse uma espécie de transe!

Se jogue meu rapaz, que a vida é esta! E não reclame do peso dessa leveza!
Ainda bem que há outros, outras, inventando saídas, distâncias de singularização, criando redes a partir de outras subtâncias, artísticas, estéticas ou tóxicas, algo que rompa com a tirania do MAIS DO MESMO dos meios de comunicação, cujo efeito psicoativo é mais radical!

Um comentário:

Jovina disse...

Professor Pinzoh...
Lamentei muito a sua ausência no Seminário de Irecê, 28/10.
Queria que meus colegas lhe conhecessem, pois lá no pólo, fiz a maior festa quando soube que viria.
Ainda bem que o Álamo (seu discípulo) digamos que preencheu essa lacuna.