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domingo, 19 de abril de 2009

DIA E NOITE

os dias passam como as águas
como o rio, o tempo é sempre adiante.
só eu pareço parado, franja na testa, idéia tesa!
ouvindo escorregar o tempo como as águas
e algo, porém, em mim, é radiante.

eu ouço o tilintar metálico das horas
eu sinto o palpitar da terra se movendo
perscruto até o ranger das nuves lá no céu
outras coisas nem com esforço entendo
como um larido que há aqui na vizinhança
que eu não cogito razão de existência...
ou a xaropice dos barulhos da cidade
que vazam até mim pela fresta da janela
e gastam até um pouco a minha tolerância
mas por hora só sei do zumbido maior dentro de mim
este sim, exige dose maior de paciência.

acho que sei que a vida é assim
um labirinto largo, que dura a vida toda
e que só à noite a alma se liberta
e até flana em passeios que não conto.

penso que um outro eu de mim se despreende
para rondar os becos da cidade
até achar um deles que leve ti
para ter, assim, notícias suas
e vira esquinas e dobra ruas
e volta a me dizer que dorme em paz,
que tem os olhos bem fechados
e um riso inciado na boca entreaberta
e quando a manhã vem e me desperta
eu tenho a sensação de ter sonhado.

assim vivo, dessas sensações pequenas
desses pequenos acenos dos seus olhos
dessas mentiras que invento pra mim mesmo
pois dentro de mim só o que existe é ermo
o tempo extenso, o dia quente e longo

já que nessa confissão eu escorrego
aproveito então e digo logo
que só em sua promessa e eu já me afogo
um meio sorriso seu, e eu já desabo...

e espero o tempo, rio que nunca pára
que me promete que quem espera alcança
promessa esta que em mim balança
pêndulo do tempo, e apenas isto!
e se nem assim isto me cansa,
assim também, afirmo, eu não desisto!

Um comentário:

A cor da Imaginação disse...

Pinzóh, que texto lindo!!!!
Adorei...
Um Beijo de sua fã.
Maisa Borges